«O imóvel ainda está disponível»: a burla do falso senhorio que acontece por SMS

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L'équipe Envoyer SMS Gratuit15 de setembro de 202612 min de leitura
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«Bom dia, o estúdio continua disponível. Estou neste momento em viagem de trabalho no estrangeiro e não posso mostrar o imóvel. Se estiver interessado, envie-me uma cópia do seu documento de identificação e o primeiro mês de renda para reservar. Faço-lhe chegar as chaves por transportadora.»

Esta mensagem quase nunca chega em primeiro lugar. Chega na etapa 3 ou 4 de uma conversa que começou num site de anúncios perfeitamente legítimo, prosseguiu por e-mail e depois deslizou para o SMS «porque é mais simples». Esse deslize não tem nada de inocente: é precisamente o momento em que o burlão abandona uma plataforma que modera, arquiva e sinaliza, por um canal onde só restam um número e você.

A burla do falso arrendamento não é nova. O que mudou foi a sua mecânica: tornou-se um processo completo, com fotografias, contrato em PDF, recibos de renda e um interlocutor que responde em três minutos às 23 horas. E ataca no pior momento — quando se procura um teto, com uma data de mudança a aproximar-se.

Grande plano das mãos de uma mulher a segurar e a consultar um smartphone na rua

Porque é que o burlão quer a todo o custo passar para o SMS

As plataformas de anúncios imobiliários desenvolveram todas sistemas de mensagens internas. Não são perfeitos, mas fazem três coisas muito incómodas para um defraudador.

Guardam os rastos. Cada mensagem tem data e hora, está associada a uma conta e pode ser recuperada pela plataforma em caso de litígio ou de requisição judicial. Já uma troca de SMS depende apenas da memória do seu telemóvel e dos dados de ligação detidos pelo operador — acessíveis unicamente em contexto judicial, após queixa.

Filtram certas palavras. Os sistemas de mensagens internas detetam cada vez mais as formulações típicas da burla: «Western Union», «vale de correio», «estou no estrangeiro», «envie as taxas de processo». O SMS não filtra nada.

Podem suspender uma conta. Um anúncio denunciado desaparece em poucas horas. Já o número de telefone sobrevive à remoção do anúncio — e é precisamente por isso que o burlão se apressa a dá-lo. Uma vez a conversa passada para SMS, ele pode apagar o próprio anúncio: a vítima, essa, continua a conversar.

Retenha este princípio simples: uma pessoa que tem uma boa razão para falar consigo raramente tem uma boa razão para mudar de canal. Um verdadeiro proprietário, uma verdadeira agência, uma verdadeira entidade de habitação social comunicam de bom grado por telefone — mas nunca exigem sair da plataforma antes de mostrarem o imóvel.

O guião típico, passo a passo

1. O anúncio anormalmente apelativo

Um T1 renovado a 480 € com despesas incluídas numa cidade onde o mesmo imóvel se arrenda por 750 €. Fotografias luminosas, bem enquadradas, muitas vezes roubadas a um antigo anúncio de venda ou a um alojamento de férias. Um teste gratuito e tremendamente eficaz: a pesquisa de imagem inversa. Num computador, um clique com o botão direito sobre a fotografia permite pesquisá-la; a partir de um telemóvel, a aplicação Google Lens faz o mesmo. Se as mesmas paredes aparecem num anúncio de Sevilha em 2021, o assunto está arrumado.

2. O processo invertido

Num arrendamento normal, é o candidato que entrega um processo, depois visita, depois assina. Aqui, tudo está invertido: enviam-lhe primeiro um contrato preenchido, um documento de identificação digitalizado do «proprietário», por vezes um comprovativo de seguro. O objetivo é psicológico: ao dar-lhe muito, o burlão aciona uma norma de reciprocidade. Sente-se em dívida, e mostrar-se cético pareceria quase indelicado.

Note que o documento de identificação fornecido é muitas vezes autêntico — é o de outra vítima, cujos documentos vazaram numa burla anterior. Isso explica por que razão o nome resiste por vezes a uma pesquisa rápida.

3. A impossibilidade de visitar

É o eixo do guião, e vem sempre vestido de uma razão plausível: missão humanitária, transferência para o estrangeiro, hospitalização, herança em curso. Alguns levam o descaramento ao ponto de proporem uma «visita virtual»: um vídeo filmado à mão, gravado noutro sítio, por vezes com voz off. Uma visita por videochamada em direto, em que peça para ver a rua, o número do prédio e a caixa de correio, põe fim a 100 % destes cenários. O burlão recusa, ou desaparece.

4. O dinheiro

O valor pedido é calibrado para ser doloroso mas não dissuasor: entre 400 e 1 200 €, sob o nome de «reserva», «caução», «taxas de processo» ou «adiantamento de renda». Os canais exigidos são sempre os mesmos: transferência para um IBAN estrangeiro, vale de correio, carregamento de vouchers pré-pagos ou aplicação de pagamentos entre particulares. Nenhum destes meios oferece recurso posterior — é justamente esse o seu interesse.

Mulher sentada num sofá a consultar um smartphone segurado com as duas mãos, plantas verdes ao fundo

Os seis sinais que devem interromper a conversa

Sinal observadoO que isso significa realmente
Passagem rápida para um canal privado (SMS, WhatsApp, Telegram)Saída do perímetro moderado e arquivado da plataforma
Recusa ou impossibilidade de visitar o localO imóvel não existe, ou não pertence ao interlocutor
Dinheiro pedido antes de qualquer assinatura presencialNenhum enquadramento legal permite exigir um pagamento nesta fase
IBAN fora do país para um imóvel nacionalConta de recolha, muitas vezes aberta em nome de uma «mula»
Português aproximativo ou frases traduzidas à letraCampanha operada a partir do estrangeiro, em vários países ao mesmo tempo
Urgência repetida: «há mais três candidatos à espera»Técnica de escassez artificial, destinada a travar a verificação

Um só destes sinais basta para justificar uma paragem. Dois, e já não há dúvidas a ter.

O que diz a lei francesa — e porque é que ela o protege

Muitas vítimas dizem depois: «eu não conhecia as regras». Ora, elas são claras e constituem um excelente detetor de burla.

A lei n.º 89-462, de 6 de julho de 1989, regula as relações de arrendamento. Estabelece, nomeadamente, que o depósito de garantia não pode exceder um mês de renda sem despesas num arrendamento sem mobília, e dois meses num arrendamento mobilado. Prevê ainda que esse depósito é pago na entrega das chaves, aquando da assinatura do contrato e do auto de vistoria — não antes.

A lei ALUR de 2014 e o seu decreto de aplicação enumeram de forma taxativa os documentos que um senhorio pode exigir a um candidato. O extrato bancário, a declaração de inexistência de créditos ou a cópia do cartão de saúde não fazem parte da lista. Um «proprietário» que reclama um comprovativo de IBAN «para verificar a sua solvabilidade» sai do enquadramento legal: procura os seus dados bancários.

Por fim, os honorários de agência só podem ser cobrados no momento da assinatura do contrato e estão sujeitos a limites conforme a zona geográfica. Um particular, esse, não tem qualquer direito a faturar taxas de processo. A expressão «taxas de processo» na boca de um senhorio privado é, por si só, um alerta vermelho.

A ANIL (Agence nationale pour l'information sur le logement) e a sua rede de ADIL departamentais respondem gratuitamente a estas questões por telefone. Uma chamada de dez minutos antes de transferir 800 € continua a ser o melhor investimento possível.

Quem é visado em primeiro lugar

Três perfis surgem constantemente nas denúncias.

Os estudantes, em agosto e setembro, quando a pressão do início do ano letivo comprime o tempo de decisão. Muitos procuram à distância, a partir de outra região, o que torna o argumento «visita impossível» quase credível.

As pessoas em mobilidade profissional, que têm de encontrar habitação numa cidade desconhecida antes de assumirem um novo cargo. Dispõem de orçamento, de um prazo e de nenhuma rede local para ir verificar a morada.

As famílias em dificuldade, para quem uma renda anormalmente baixa representa uma lufada de ar fresco. A esperança desativa a desconfiança muito mais eficazmente do que o medo.

Nos três casos, a procura faz-se quase inteiramente a partir de um telemóvel, nos transportes, entre duas obrigações — um contexto em que se lê depressa e se verifica pouco. Ganhar o hábito de reabrir as conversas sensíveis num ecrã grande, ou pelo menos num tablet familiar, muda concretamente a qualidade da atenção: vê-se o endereço completo de uma ligação, comparam-se dois anúncios lado a lado, deteta-se uma incoerência de datas.

Verificar, na prática, antes de qualquer pagamento

Eis a sequência que recomendamos, por ordem. Demora cerca de vinte minutos.

  1. Pesquisa de imagem inversa em pelo menos três fotografias do anúncio.
  2. Verificação da morada num mapa em vista de rua: o edifício corresponde às fotografias? A fachada, as varandas, o número de pisos?
  3. Pesquisa do nome do senhorio associado às palavras «burla» e «anúncio». Os fóruns de inquilinos fazem frequentemente emergir as mesmas identidades recicladas.
  4. Chamada de voz. Um burlão prefere o escrito, que pode traduzir e reler. Uma recusa sistemática em atender é um sinal forte.
  5. Visita presencial, ou mandato a um terceiro. Se estiver à distância, um familiar, um colega, ou mesmo um serviço de visita por conta de terceiros pode deslocar-se ao local. Algumas associações estudantis fazem-no gratuitamente.
  6. Nem um euro antes do auto de vistoria e da entrega das chaves. Esta regra única neutraliza a quase totalidade dos cenários.

Um pormenor muitas vezes negligenciado: guarde tudo. Capturas de ecrã do anúncio antes de ser eliminado, fio completo de SMS, documentos recebidos, dados bancários comunicados. Uma cópia de segurança numa pen USB segura ou num disco externo, feita no próprio dia, vale mais do que um telemóvel que se pode perder ou repor de fábrica. Os investigadores trabalham com estes elementos.

Homem de óculos, com a mão diante da boca, a olhar para o smartphone com ar preocupado

Se a transferência já saiu

O tempo é o fator decisivo. As primeiras horas contam mais do que todo o resto.

Ligue imediatamente para o seu banco e peça um «pedido de devolução de fundos» (ou recall) da transferência. Se o dinheiro ainda não tiver sido levantado da conta de destino, a recuperação continua a ser possível. Faça o pedido por telefone e confirme-o depois por escrito, guardando prova.

Apresente queixa. É possível fazê-lo na gendarmerie, na esquadra ou através de uma pré-queixa online no site do Ministério do Interior. A burla é punida pelo artigo 313-1 do código penal francês. Mesmo que o caso pareça pequeno, alimenta agrupamentos de processos: um mesmo IBAN surge frequentemente em dezenas de queixas.

Denuncie o anúncio à plataforma, com o URL e o número de telefone utilizado.

Denuncie o número ao 33700 se a conversa tiver decorrido por SMS. Este serviço, gerido pela Association Française du Multimédia Mobile com os operadores franceses, permite colocar na lista negra números emissores abusivos.

Registe a ocorrência em Cybermalveillance.gouv.fr, a plataforma pública de apoio às vítimas de atos de cibermalveillance, que encaminha para profissionais e documenta os modos de atuação.

Se enviou uma cópia do seu documento de identificação, parta do princípio de que ela já circula. Pode servir para abrir contas, contratar créditos ou fabricar outros anúncios falsos. É útil apresentar queixa especificamente por este ponto e exercer o seu direito de acesso junto do Banco de França (ficheiros FICP e FCC) para verificar que nenhum crédito foi contratado em seu nome.

Um reflexo simples: quando tiver de enviar um documento de identificação online, aponha nele uma menção manuscrita ou digital do tipo «cópia entregue a DD/MM/AAAA para candidatura ao arrendamento de [morada], para uso exclusivo de [nome]». Isso não impede o roubo, mas dificulta claramente a reutilização fraudulenta.

Reduzir a superfície de exposição desde a procura

Alguns hábitos limitam o risco sem complicar as diligências.

Separe os canais. Usar um endereço de e-mail dedicado à procura de habitação, ou até um cartão SIM pré-pago com um segundo número durante o período da procura, evita que o seu número principal acabe em bases de dados revendidas. Uma vez instalado, abandona-se a linha e o contacto comercial para de imediato.

Não divulgue documentos sem partes ocultadas. Um recibo de vencimento contém o seu número de segurança social, a sua morada e os seus dados bancários. Oculte o que não é necessário.

Desconfie dos links de pagamento recebidos por SMS. Nenhum senhorio sério envia um link de pagamento antes da assinatura. Se ainda assim tiver de consultar um documento no telemóvel, um ecrã protegido por um filtro de privacidade evita, já agora, que o seu vizinho de metro fotografe as suas informações.

Mantenha o telemóvel operacional. Parece trivial, mas muitas conversas correm mal porque se volta a ligar demasiado tarde, com a bateria descarregada, precisamente no momento em que se poderia anular uma transferência. Um powerbank compacto na mala durante as semanas de procura não tem nada de luxo.

O essencial em três frases

Um imóvel que não se pode visitar não existe enquanto não for provado. Nem um euro se paga antes do auto de vistoria e da entrega das chaves — a lei de 1989 está do seu lado. E quando um interlocutor insiste em sair da plataforma e continuar por SMS, isso não é simplicidade: é uma mudança de terreno escolhida por ele, não por si.

Passado o início do ano letivo, estas campanhas não desaparecem: reciclam-se para os arrendamentos sazonais de inverno e depois para as transferências da primavera. O cenário muda, o guião mantém-se idêntico. Depois de o lermos uma vez por inteiro, nunca mais o lemos da mesma maneira.

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